terça-feira, maio 26, 2020


Há muito tempo eu escrevi um texto, falava de tristeza, de desânimo. Muito antes de eu entender melhor sobre o mundo, sobre mim. Não que eu entenda demais, só mais do que antes. Falava da saudade que eu sentia da vontade, de um tempo anterior, de sair correndo, me divertindo e chocando as pessoas. De tomar banho de chuva... Mas terminava com a constatação do momento, que, dolorosamente, eu queria querer sair na chuva. Pelo menos havia ainda uma esperança de querer isso tudo de novo, hoje sei que isso era um bom sinal. Antes eu me culpava demais por não querer sair na chuva, por não querer mudar o mundo e minha vida, naqueles momentos, em particular. Hoje fico me perguntando sobre onde é o limite, até onde devo me dar uma chance de ir um pouco mais, de que tudo vai voltar ao normal. Me pergunto se espero a vontade de querer sair na chuva sumir, a vontade de ter vontade de sair na chuva também ou além para fazer alguma coisa.

segunda-feira, maio 16, 2011

Por caminhos certos, sigo minha vida errada. Ela se esconde, finge não me ver.
Mas ainda assim, a sigo. Ela acelera o passo, se mistura na multidão,
sobe em edifícios, voa em aviões, entra e sai de hospitais e faz tanto e tanto, que por fim, a perco de vista.

Então desisto e sigo meu próprio caminho, acordo por que tenho que acordar, durmo por que é preciso e tudo acontece por que deveria acontecer.

De repente tenho a sensação de ser observado, alguém me vigia. Alguém se esconde quando me viro procurando quem me observa. Quase vejo um vulto virando a esquina, saindo do banco, descendo o próximo lance de esccadas. E começo a pensar quem seria, ou, o que seria um motivo maior de surpresa, por que ME seguir.

Seria minha vida? Seria ela quem toca minha campanhia no meio da noite e sai correndo? Quem me liga no meio da madrugada e não diz nada só pra me escutar dizendo: "alô"?

E sigo assim, sem saber como viver certo minha vida errada, fugindo de mim mesmo e da minha própria vida que me persegue.

sexta-feira, abril 15, 2011

De tanto me procurar por aí, acabei me perdendo de mim mesmo.

terça-feira, outubro 05, 2010

"- Você está certo - disse Colon. - A questão do capitão, sabe, eu li num livro uma vez... Você sabia que todos nós temos álcool no corpo... uma espécie de álcool natural? Mesmo se você nunca tomar uma gota a vida toda, seu corpo meio que o produz de qualquer jeito... Mas o capitão Vimes, sabe, ele é uma dessas pessoas cujo corpo não o produz naturalmente. Tipo, ele nasceu duas doses abaixo do normal.
- Nossa! - espantou-se Cenoura.
- É... Então, quando ele está sóbrio, fica realmente sóbrio. Eles chamam isso de knurd. Sabe aquele jeito como você se sente quando acorda depois de ter passado a noite inteira enchendo a cara, Nobby? Bom, ele se sente assim o tempo todo. (...) Então ele está sempre tentando tirar o atraso, sabe? Só que nem sempre acerta na dose."

Terry Pratchett em "Guardas! Guardas!"

domingo, maio 09, 2010

Tive um sonho, desses que acontecem quando estamos acordados. A princípio tentei evitá-lo, tentei me afastar, fingir que não era de verdade, até por que sonhos são perigosos. Mas fui sendo envolvido pelo fluxo de sensações, reais demais para serem negadas, mais reais que a própria realidade que eu conhecia. Logo acabei decidindo me entregar. Quebrei as últimas resistências internas, fui contra o que restava de resistência externa e quando me deixei cair no abismo onírico... justamente quando julguei ter chegado a hora... tudo voltou a normal, ao meu normal...

As cores antes vivas, de tonalidades cada vez mais brilhantes, subitamente voltaram ao espectro comum dos lugares que sonho. Cores pesadas, tons de cinza e escalas de preto.

E a promessa da realidade sonhada distorceu-se num presente não mais de sonho acordado, mas de sono acordado, permeado por pesadelos reais tão dolorosos e angustiantes que me fizeram querer dormir pra sempre, pra poder voltar a ter apenas pesadelos sonhados e não me importar muito, pois sei que quando acordo eles somem e, no máximo, resta um leve incômodo na alma...

domingo, abril 25, 2010

É solitário andar por um caminho que não se enxerga nem o que vem, nem o que foi. Chega a se duvidar de realmente estar caminhando, de estar vindo de algum lugar e indo pra outro. A dúvida se torna tão visceral que se estende a própria existência. A dúvida passa a ser do que será, do que foi e se é ou não.

Mas só se encontra nessa situação quem quer, que se esforça pra isso. Há um preço a se pagar. E sendo assim, já que está pago mesmo, deixa acontecer.

sexta-feira, novembro 27, 2009

Saindo da onda "vou escrever uma viagem com continuação sobre um assunto extremamente batido":

Sorrir para enganar o mundo é um dom do qual cada vez menos me orgulho. Mas o que eu posso fazer? O sorriso simplesmente está lá. Sinto lágrimas vindo aos meus olhos e o sorriso continua lá. Tudo bem, isso foi uma decisão, mas até quando vou conseguir suportar esse sorriso? Ele vai continuar, já eu, não sei até quando...

- Mas o que aconteceu???
- A mesma história de sempre, whisky de menos e realidade de mais.

Sério, ando cada vez mais, de MAIS saco cheio de, absolutamente, isso tudo. Tanto que antes ainda me atreveria a escrever algo "bonitinho" e colorir todo esse cinza, dessa vez vou só entornar o preto no branco e deixar tudo aí esparramado. Pelo menos é noite....



segunda-feira, março 30, 2009

E numa noite chuvosa eu abro as portas do mundo e ganho as ruas. Minhas roupas rapidamente se encharcam, meus passos começam a fazer barulhos engraçados e ocasionalmente preciso passar a mão nos olhos pra poder enxergar o caminho. Mesmo no escuro, o caminho é claro. Não sei se por tê-lo percorrido tantas vezes ou por estar acostumado com a noite. Mas continuo quase sem prestar atenção no que faço. Me divirto com o barulho do meu tênis molhado e mal presto atenção no próximo passo. Essa certeza de saber o que fazer, de onde pisar, de como caminhar e aonde chegarei é quase estranha. Não costumo ter tantas certezas, saber o que me aguarda ou o que quero fazer. Mas essa é a minha exceção. Esse é o único caminho que percorro intencionalmente com um único propósito...

A chuva fica mais forte, nunca entendi direito por que gosto tanto de de chuva. A escuridão se intensifica e eu continuo meu caminho, sem sequer me preocupar com a visibilidade ainda mais diminuída. É um caminho já trilhado tantas vezes e, no entanto, completamente diferente da última vez. Ainda assim, extremamente familiar. Esse caminho mistura mundos, me mistura com mundo, mescla o que está dentro com o que está fora. É um caminho para a loucura completa e ao mesmo tempo, para fora dela. Atualmente, a única coisa que garante um pouco de sanidade.

Já o percorri tantas vezes que o comum é a sua eterna instabilidade, a contância da sua inconstância. E mesmo sendo algo completamente novo, eu sei exatamente aonde ele chega, mesmo nunca tendo estado lá antes. Sei como é o destino e, absolutamente, não o conheço. Com um sorriso molhado e passos encharcados, continuo meu caminho, tão meu quanto de qualquer outro que o queira percorrer. Esse caminho novo e já tão conhecido pelos que buscam entender os padrões por trás do caos.

quarta-feira, março 18, 2009

Há um tempo atrás, durante uma propaganda sobre a importância do voto, o governo veiculava uma propaganda na tv que falada " eu voto, eu existo". Eu lembro de rir um monte disso, e ri ainda mais hoje quando me ocorreu um pensamento novo:

"Eu não existo de verdade."

Sério, eu sou uma mentira, não sou nada do que se pensa, nem do que se deixa de pensar, eu simplesmente não sou. Sou aquele que ri. Sou o homem que não sabe de nada, logo, o nada eu sou.
A criança velha, que por ser um paradoxo, não há como ser verdade nessa realidade. Como aquele lugar que Terry Pratchett citava, no limiar da imaginação, nas fronteiras do pensamento, quase dá pra me ouvir gritando, quase dá pra me ver acenado.
Disso tudo quero ter certeza de uma coisa, que o eco da minha risada chegue até aqui.

Saudações transeuntes distantes.

sexta-feira, março 06, 2009

Engraçado como podemos ser muitos em um só. Ser diferente do que somos e ainda sermos só nós. Sermos exatamente igual o que sempre fomos, nunca sendo o que já fomos um dia.

Tenho que admitir, escrever, escritos, música e poesia voltaram a habitar minha vida. Isso faz mal e bem, e me faz bem e mal. Eu só gostaria de uma coisa, eternidade...


"Uma pitada de rock, um toque de desejo, polvilhe com sonhos, um passe de mágica e pronto!!! Eis-me aqui outra vez!!!"

Saudações, transeuntes.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

O tempo

Como o barulho de água pingando após a chuva, eu sinto o tempo passando.
Cada gota, mais cinco minutos. Cada cinco minutos, outra gota. Gostaria de saber represar o tempo e jogar de volta pro ar, fazer a chuva cair de novo. Mas acabo tendo que me contentar com o cheiro gostoso de terra molhada enquanto espero outra chuva.
Será que esse tempo que se escoa não voltará a chover? Não sei se torço por uma tempestade ou um dia limpo. Quero os dois por motivos opostos.
Acho que vou me contentar com as mudanças climáticas aleatórias por hora.

sábado, fevereiro 21, 2009

É mesmo certo a gente viver de ilusões e fantasiando que a realidade é qualquer coisa que não real? Por acaso não tem outro jeito de viver sem, necessariamente, ficar com uma grande vontade de deixar tudo isso pra trás?

Vai entender essas idéias, esse mundo e esse humanos...

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Sobre monstros, monstruosidades e mim mesmo... tinha algum tempo que não pensava sobre esse título. Sobre o que pensei ao criá-lo. São tantos sentimentos e sensações que estava envolvidas, tantas idéias que passaram, deixando marca ou nem isso, evaporando-se. E hoje, é um título que não representa a idéia original, mas me mistura, tira o mim mesmo de mim e me coloca entre os monstros. Não tento mais negar essa verdade, me faz mal descobrir-me alguém que não sou e é dolorido percorrer o caminho de volta até mim mesmo. Não que seja recompensador, o resultado é quase sempre medíocre, me faz pensar se não perdi algum pedaço no caminho. E no entando, eu insisto em ir e vir, eternamete deslocado no mundo e dentro de mim mesmo, da minha monstruosa existência.

Em determinada ocasião estava a pensar em como parecia que algumas pessoas se apaixonavam pela própria dor, real ou criada (mas não menos real), e chegavam a lutar e procurar motivos para alimentá-la e mantê-la. Como se fossem definidos por isso e por ela. Lembro-me de incluir-me entre tais pessoas. E percebo que isso quase me define as vezes. E sobre essa dor? Ela é doce, um toque de púrpura, imagens soltas de amores perdidos, paixões não realizadas e vontades insaciadas. Impossível definí-la, fácil alimentá-la, difícil conviver com ela, impraticável imaginar-me sem ela. Não, não é que eu goste, é que vai além do que consigo conscientemente decidir.

Mesmo que um sofrimento profundo não torne uma pessoa profunda, a profundidade de pensamentos em que me vejo obrigado a mergulhar, me fornecem material para entender melhor as cores do mundo e, infelizmente, abominá-las. Sorrisos cada vez mais feitos de cera, massa de moldar e toda sorte de materia prima para máscaras. E mesmo os forçando, eles não se tornaram a realidade e o que estava por trás, a mentira. Tudo continua sendo o que é. E essa é exatamente a minha maior revolta com esse paradigma de universo que sou obrigado a viver, tudo é exatamente isso, tudo é o que é (e não algo mais). Confesso que sei jogar com isso e usar a meu favor, mas isso não me faz ter prazer com essa simplificação, essa redução da equação, esse entendimento do não ser o que parece, mas o que é de fato. Só me atormenta.

Começo a pensar que talvez deva haver outro caminho, uma pena não conseguir percorrer a estrada de volta e tomar bifurcações diferentes, visto que, apesar de um dia ter achado isso, o caminho de volta não é uma reta, é quase um espelho da vinda, com bifurcações e curvas escondidas. Ainda assim, acho que deveria haver outro caminho, outro destino.

TEM que haver outro caminho!!!

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Certa vez engatei a segunda marcha e percebi que quanto mais rápido eu ia, mais eu permanecia no mesmo lugar. Quando engatei a quarta, quase voava de tão parado. A quinta entrou macia, e eu parei totalmente. Claro, eu sei que foi, na verdade, o mundo que parou de tão rápido que eu estava, mas isso só é legal com a trilha sonora certa, e meu som estava quebrado. Por mais que seja divertido tocar um cd inteiro na cabeça, não é a mesma coisa de escutá-lo passivamente, ou ativamente que seja.

Qual será a música que tocaria agora se minha vida tivesse trilha sonora? Algo mais denso como Beethoven é quase certeza, talvez um pouco de Bach e Chopin, um pouco de uma alegre melancolia... Mas tocando algo assim eu só me distanciaria ainda mais desse mundo onde não consigo achar um lugar que me caiba. As músicas esperadas, rocks pesados, rocks incompreendidos, heavy metal, seria bom só se tocassem bem baixinho pra ninguém perceber, bem perto do ouvido pra dar um pouco de vazão aos sentimentos, mas as pessoas logo começariam a correr de mim. Até na música é difícil me achar.

E quando se trata de senso estético? As roupas escuras, o gosto pelo noturno, a literatura ultra-romântica ou de fantasia, a eterna paixão por criaturas fantásticas e do imaginário popular e a vontade de ter um pincel na mão, um pouco de tinta e ter a capacidade de brincar com luz e sombras. Não é tentar ser diferente, é tentar não ser tão diferente de todo o resto. Não é querer chamar a atenção, é tentar se misturar, é tentar ser comum sem deixar de ser autêntico, é tentar ser mais um, sendo único e sem deixar de ser quem é.

Que fique claro, isso tudo me cansa, muito. Toda essa falta de sentido e significado, toda essa inércia e estaticidade da realidade. Toda essa hipocrisia e falso moralismo. Talvez minha vida devesse mesmo ter trilha sonora, seria uma boa hora de começar a tocar um réquiem, já que as coisas não tem sentido, seria um bom jeito de resolver tudo.

Saudações.

domingo, janeiro 04, 2009

Ano novo.... Novo? 

O que será que esse ano vai trazer de novo? Pelas minhas perspectivas, as coisas só se repetem, achei que precisaria viver uma eternidade antes de ter tais conclusões. 

Quase consigo prever o resultado de várias situações, muitas conversas não são nada novas, apesar de serem novidade e eu sinto como se estivesse velho, sem necessariamente sê-lo. 

Não gosto de quando o mundo toma tons de cinza. E o ruim é que mesmo qndo o vejo colorido, essa sombra, como se estivesse por trás dessa aparente beleza colorida, está cada vez mais presente. 

Pior do que escrever quando se está mal, é não saber o que escrever por estar mal... 

Saudades de banhos na chuva.... 

sexta-feira, outubro 24, 2008

por que tentar ser melhor se posso ser pior ainda?


escrevi isso num lugar há mto tempo, sempre divertido descobrir e lembrar esse tipo de coisa. \,,/

quinta-feira, outubro 23, 2008

Quando afinal paramos de olhar pra lua e ela começa a olhar pra gente?

Em algum momento, por olhar demais para o abismo, ele começou a me olhar, tornei-me parte dele, e ele de mim.

Tantas coisas boas e o que me tenta é a vontade de não ter mais absolutamente nada.

Quando foi que mais um ciclo se completou pra mais esse começar?

Tenho tão poucas respostas, tão pouco conhecimento e simplesmente não consigo desligar. Já não sei mais se quero continuar sendo eu.

domingo, outubro 12, 2008

Uma noite gostosa, excelente companhia, poucas horas de sono e, impressionantemente, me sinto muito melhor do que sinto dormindo mais de 4 horas....

Escutei um dia desses um senhor (japonês) dizer que quando a mente não se sente velha, ela empurra o corpo, isso explica a disposição de alguns idosos. Mas tem algo que empurra ainda mais, o coração, a vontade, só assim pra superar sem força o que a mente precisa de mto esforço pra fazer. hohoho Chega de viagens orientais.

Saudações aos transeuntes.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Eu preciso escutar mais músicas que gosto. Ontem voltando de um plantão achei por acaso um cd do slipknot e coloquei no som. Foi engraçado perceber como não tenho podido me expressar, ser autêntico.

Queria poder aproveitar mais essa cidade nova... Uma hora eu ainda vou ser chefe e aí sim as coisas ficarão divertidas.

Só pra dar notícias. =D

Saudações aos transeuntes.

sábado, julho 05, 2008

E quem se importaria?

Tantas perguntas, tão poucas respostas. Tantas aflições e anseios, pouco consolo.

Tantas perguntas, muitas respostas, poucas explicações.

E quem se importaria? Alguém se importaria de verdade?

Tantos desejos, tantos adiamentos, tão poucos sentimentos.

Singularidade sentimental, deserção da vontade, entrega...

Tão alto, tanto tempo, tanto a pensar e pouco a concluir, conclusão insatisfatória...

E quem se importaria? Alguém se importaria de verdade? Alguém ousaria se manifestar?

Tanto desespero, malditas respostas, tantas insatisfações e desejos frustados.

Tão alto! Alto o suficiente...

E quem se importaria? Alguém se importaria de verdade? Alguém ousaria se manifestar? Alguém conseguiria me convencer a novamente ascender?

Tantas perguntas, tão poucas respostas....