sexta-feira, novembro 27, 2009

Saindo da onda "vou escrever uma viagem com continuação sobre um assunto extremamente batido":

Sorrir para enganar o mundo é um dom do qual cada vez menos me orgulho. Mas o que eu posso fazer? O sorriso simplesmente está lá. Sinto lágrimas vindo aos meus olhos e o sorriso continua lá. Tudo bem, isso foi uma decisão, mas até quando vou conseguir suportar esse sorriso? Ele vai continuar, já eu, não sei até quando...

- Mas o que aconteceu???
- A mesma história de sempre, whisky de menos e realidade de mais.

Sério, ando cada vez mais, de MAIS saco cheio de, absolutamente, isso tudo. Tanto que antes ainda me atreveria a escrever algo "bonitinho" e colorir todo esse cinza, dessa vez vou só entornar o preto no branco e deixar tudo aí esparramado. Pelo menos é noite....



segunda-feira, março 30, 2009

E numa noite chuvosa eu abro as portas do mundo e ganho as ruas. Minhas roupas rapidamente se encharcam, meus passos começam a fazer barulhos engraçados e ocasionalmente preciso passar a mão nos olhos pra poder enxergar o caminho. Mesmo no escuro, o caminho é claro. Não sei se por tê-lo percorrido tantas vezes ou por estar acostumado com a noite. Mas continuo quase sem prestar atenção no que faço. Me divirto com o barulho do meu tênis molhado e mal presto atenção no próximo passo. Essa certeza de saber o que fazer, de onde pisar, de como caminhar e aonde chegarei é quase estranha. Não costumo ter tantas certezas, saber o que me aguarda ou o que quero fazer. Mas essa é a minha exceção. Esse é o único caminho que percorro intencionalmente com um único propósito...

A chuva fica mais forte, nunca entendi direito por que gosto tanto de de chuva. A escuridão se intensifica e eu continuo meu caminho, sem sequer me preocupar com a visibilidade ainda mais diminuída. É um caminho já trilhado tantas vezes e, no entanto, completamente diferente da última vez. Ainda assim, extremamente familiar. Esse caminho mistura mundos, me mistura com mundo, mescla o que está dentro com o que está fora. É um caminho para a loucura completa e ao mesmo tempo, para fora dela. Atualmente, a única coisa que garante um pouco de sanidade.

Já o percorri tantas vezes que o comum é a sua eterna instabilidade, a contância da sua inconstância. E mesmo sendo algo completamente novo, eu sei exatamente aonde ele chega, mesmo nunca tendo estado lá antes. Sei como é o destino e, absolutamente, não o conheço. Com um sorriso molhado e passos encharcados, continuo meu caminho, tão meu quanto de qualquer outro que o queira percorrer. Esse caminho novo e já tão conhecido pelos que buscam entender os padrões por trás do caos.

quarta-feira, março 18, 2009

Há um tempo atrás, durante uma propaganda sobre a importância do voto, o governo veiculava uma propaganda na tv que falada " eu voto, eu existo". Eu lembro de rir um monte disso, e ri ainda mais hoje quando me ocorreu um pensamento novo:

"Eu não existo de verdade."

Sério, eu sou uma mentira, não sou nada do que se pensa, nem do que se deixa de pensar, eu simplesmente não sou. Sou aquele que ri. Sou o homem que não sabe de nada, logo, o nada eu sou.
A criança velha, que por ser um paradoxo, não há como ser verdade nessa realidade. Como aquele lugar que Terry Pratchett citava, no limiar da imaginação, nas fronteiras do pensamento, quase dá pra me ouvir gritando, quase dá pra me ver acenado.
Disso tudo quero ter certeza de uma coisa, que o eco da minha risada chegue até aqui.

Saudações transeuntes distantes.

sexta-feira, março 06, 2009

Engraçado como podemos ser muitos em um só. Ser diferente do que somos e ainda sermos só nós. Sermos exatamente igual o que sempre fomos, nunca sendo o que já fomos um dia.

Tenho que admitir, escrever, escritos, música e poesia voltaram a habitar minha vida. Isso faz mal e bem, e me faz bem e mal. Eu só gostaria de uma coisa, eternidade...


"Uma pitada de rock, um toque de desejo, polvilhe com sonhos, um passe de mágica e pronto!!! Eis-me aqui outra vez!!!"

Saudações, transeuntes.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

O tempo

Como o barulho de água pingando após a chuva, eu sinto o tempo passando.
Cada gota, mais cinco minutos. Cada cinco minutos, outra gota. Gostaria de saber represar o tempo e jogar de volta pro ar, fazer a chuva cair de novo. Mas acabo tendo que me contentar com o cheiro gostoso de terra molhada enquanto espero outra chuva.
Será que esse tempo que se escoa não voltará a chover? Não sei se torço por uma tempestade ou um dia limpo. Quero os dois por motivos opostos.
Acho que vou me contentar com as mudanças climáticas aleatórias por hora.

sábado, fevereiro 21, 2009

É mesmo certo a gente viver de ilusões e fantasiando que a realidade é qualquer coisa que não real? Por acaso não tem outro jeito de viver sem, necessariamente, ficar com uma grande vontade de deixar tudo isso pra trás?

Vai entender essas idéias, esse mundo e esse humanos...

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Sobre monstros, monstruosidades e mim mesmo... tinha algum tempo que não pensava sobre esse título. Sobre o que pensei ao criá-lo. São tantos sentimentos e sensações que estava envolvidas, tantas idéias que passaram, deixando marca ou nem isso, evaporando-se. E hoje, é um título que não representa a idéia original, mas me mistura, tira o mim mesmo de mim e me coloca entre os monstros. Não tento mais negar essa verdade, me faz mal descobrir-me alguém que não sou e é dolorido percorrer o caminho de volta até mim mesmo. Não que seja recompensador, o resultado é quase sempre medíocre, me faz pensar se não perdi algum pedaço no caminho. E no entando, eu insisto em ir e vir, eternamete deslocado no mundo e dentro de mim mesmo, da minha monstruosa existência.

Em determinada ocasião estava a pensar em como parecia que algumas pessoas se apaixonavam pela própria dor, real ou criada (mas não menos real), e chegavam a lutar e procurar motivos para alimentá-la e mantê-la. Como se fossem definidos por isso e por ela. Lembro-me de incluir-me entre tais pessoas. E percebo que isso quase me define as vezes. E sobre essa dor? Ela é doce, um toque de púrpura, imagens soltas de amores perdidos, paixões não realizadas e vontades insaciadas. Impossível definí-la, fácil alimentá-la, difícil conviver com ela, impraticável imaginar-me sem ela. Não, não é que eu goste, é que vai além do que consigo conscientemente decidir.

Mesmo que um sofrimento profundo não torne uma pessoa profunda, a profundidade de pensamentos em que me vejo obrigado a mergulhar, me fornecem material para entender melhor as cores do mundo e, infelizmente, abominá-las. Sorrisos cada vez mais feitos de cera, massa de moldar e toda sorte de materia prima para máscaras. E mesmo os forçando, eles não se tornaram a realidade e o que estava por trás, a mentira. Tudo continua sendo o que é. E essa é exatamente a minha maior revolta com esse paradigma de universo que sou obrigado a viver, tudo é exatamente isso, tudo é o que é (e não algo mais). Confesso que sei jogar com isso e usar a meu favor, mas isso não me faz ter prazer com essa simplificação, essa redução da equação, esse entendimento do não ser o que parece, mas o que é de fato. Só me atormenta.

Começo a pensar que talvez deva haver outro caminho, uma pena não conseguir percorrer a estrada de volta e tomar bifurcações diferentes, visto que, apesar de um dia ter achado isso, o caminho de volta não é uma reta, é quase um espelho da vinda, com bifurcações e curvas escondidas. Ainda assim, acho que deveria haver outro caminho, outro destino.

TEM que haver outro caminho!!!

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Certa vez engatei a segunda marcha e percebi que quanto mais rápido eu ia, mais eu permanecia no mesmo lugar. Quando engatei a quarta, quase voava de tão parado. A quinta entrou macia, e eu parei totalmente. Claro, eu sei que foi, na verdade, o mundo que parou de tão rápido que eu estava, mas isso só é legal com a trilha sonora certa, e meu som estava quebrado. Por mais que seja divertido tocar um cd inteiro na cabeça, não é a mesma coisa de escutá-lo passivamente, ou ativamente que seja.

Qual será a música que tocaria agora se minha vida tivesse trilha sonora? Algo mais denso como Beethoven é quase certeza, talvez um pouco de Bach e Chopin, um pouco de uma alegre melancolia... Mas tocando algo assim eu só me distanciaria ainda mais desse mundo onde não consigo achar um lugar que me caiba. As músicas esperadas, rocks pesados, rocks incompreendidos, heavy metal, seria bom só se tocassem bem baixinho pra ninguém perceber, bem perto do ouvido pra dar um pouco de vazão aos sentimentos, mas as pessoas logo começariam a correr de mim. Até na música é difícil me achar.

E quando se trata de senso estético? As roupas escuras, o gosto pelo noturno, a literatura ultra-romântica ou de fantasia, a eterna paixão por criaturas fantásticas e do imaginário popular e a vontade de ter um pincel na mão, um pouco de tinta e ter a capacidade de brincar com luz e sombras. Não é tentar ser diferente, é tentar não ser tão diferente de todo o resto. Não é querer chamar a atenção, é tentar se misturar, é tentar ser comum sem deixar de ser autêntico, é tentar ser mais um, sendo único e sem deixar de ser quem é.

Que fique claro, isso tudo me cansa, muito. Toda essa falta de sentido e significado, toda essa inércia e estaticidade da realidade. Toda essa hipocrisia e falso moralismo. Talvez minha vida devesse mesmo ter trilha sonora, seria uma boa hora de começar a tocar um réquiem, já que as coisas não tem sentido, seria um bom jeito de resolver tudo.

Saudações.

domingo, janeiro 04, 2009

Ano novo.... Novo? 

O que será que esse ano vai trazer de novo? Pelas minhas perspectivas, as coisas só se repetem, achei que precisaria viver uma eternidade antes de ter tais conclusões. 

Quase consigo prever o resultado de várias situações, muitas conversas não são nada novas, apesar de serem novidade e eu sinto como se estivesse velho, sem necessariamente sê-lo. 

Não gosto de quando o mundo toma tons de cinza. E o ruim é que mesmo qndo o vejo colorido, essa sombra, como se estivesse por trás dessa aparente beleza colorida, está cada vez mais presente. 

Pior do que escrever quando se está mal, é não saber o que escrever por estar mal... 

Saudades de banhos na chuva....