Certa vez engatei a segunda marcha e percebi que quanto mais rápido eu ia, mais eu permanecia no mesmo lugar. Quando engatei a quarta, quase voava de tão parado. A quinta entrou macia, e eu parei totalmente. Claro, eu sei que foi, na verdade, o mundo que parou de tão rápido que eu estava, mas isso só é legal com a trilha sonora certa, e meu som estava quebrado. Por mais que seja divertido tocar um cd inteiro na cabeça, não é a mesma coisa de escutá-lo passivamente, ou ativamente que seja.
Qual será a música que tocaria agora se minha vida tivesse trilha sonora? Algo mais denso como Beethoven é quase certeza, talvez um pouco de Bach e Chopin, um pouco de uma alegre melancolia... Mas tocando algo assim eu só me distanciaria ainda mais desse mundo onde não consigo achar um lugar que me caiba. As músicas esperadas, rocks pesados, rocks incompreendidos, heavy metal, seria bom só se tocassem bem baixinho pra ninguém perceber, bem perto do ouvido pra dar um pouco de vazão aos sentimentos, mas as pessoas logo começariam a correr de mim. Até na música é difícil me achar.
E quando se trata de senso estético? As roupas escuras, o gosto pelo noturno, a literatura ultra-romântica ou de fantasia, a eterna paixão por criaturas fantásticas e do imaginário popular e a vontade de ter um pincel na mão, um pouco de tinta e ter a capacidade de brincar com luz e sombras. Não é tentar ser diferente, é tentar não ser tão diferente de todo o resto. Não é querer chamar a atenção, é tentar se misturar, é tentar ser comum sem deixar de ser autêntico, é tentar ser mais um, sendo único e sem deixar de ser quem é.
Que fique claro, isso tudo me cansa, muito. Toda essa falta de sentido e significado, toda essa inércia e estaticidade da realidade. Toda essa hipocrisia e falso moralismo. Talvez minha vida devesse mesmo ter trilha sonora, seria uma boa hora de começar a tocar um réquiem, já que as coisas não tem sentido, seria um bom jeito de resolver tudo.
Saudações.
quinta-feira, janeiro 08, 2009
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