segunda-feira, março 30, 2009

E numa noite chuvosa eu abro as portas do mundo e ganho as ruas. Minhas roupas rapidamente se encharcam, meus passos começam a fazer barulhos engraçados e ocasionalmente preciso passar a mão nos olhos pra poder enxergar o caminho. Mesmo no escuro, o caminho é claro. Não sei se por tê-lo percorrido tantas vezes ou por estar acostumado com a noite. Mas continuo quase sem prestar atenção no que faço. Me divirto com o barulho do meu tênis molhado e mal presto atenção no próximo passo. Essa certeza de saber o que fazer, de onde pisar, de como caminhar e aonde chegarei é quase estranha. Não costumo ter tantas certezas, saber o que me aguarda ou o que quero fazer. Mas essa é a minha exceção. Esse é o único caminho que percorro intencionalmente com um único propósito...

A chuva fica mais forte, nunca entendi direito por que gosto tanto de de chuva. A escuridão se intensifica e eu continuo meu caminho, sem sequer me preocupar com a visibilidade ainda mais diminuída. É um caminho já trilhado tantas vezes e, no entanto, completamente diferente da última vez. Ainda assim, extremamente familiar. Esse caminho mistura mundos, me mistura com mundo, mescla o que está dentro com o que está fora. É um caminho para a loucura completa e ao mesmo tempo, para fora dela. Atualmente, a única coisa que garante um pouco de sanidade.

Já o percorri tantas vezes que o comum é a sua eterna instabilidade, a contância da sua inconstância. E mesmo sendo algo completamente novo, eu sei exatamente aonde ele chega, mesmo nunca tendo estado lá antes. Sei como é o destino e, absolutamente, não o conheço. Com um sorriso molhado e passos encharcados, continuo meu caminho, tão meu quanto de qualquer outro que o queira percorrer. Esse caminho novo e já tão conhecido pelos que buscam entender os padrões por trás do caos.

quarta-feira, março 18, 2009

Há um tempo atrás, durante uma propaganda sobre a importância do voto, o governo veiculava uma propaganda na tv que falada " eu voto, eu existo". Eu lembro de rir um monte disso, e ri ainda mais hoje quando me ocorreu um pensamento novo:

"Eu não existo de verdade."

Sério, eu sou uma mentira, não sou nada do que se pensa, nem do que se deixa de pensar, eu simplesmente não sou. Sou aquele que ri. Sou o homem que não sabe de nada, logo, o nada eu sou.
A criança velha, que por ser um paradoxo, não há como ser verdade nessa realidade. Como aquele lugar que Terry Pratchett citava, no limiar da imaginação, nas fronteiras do pensamento, quase dá pra me ouvir gritando, quase dá pra me ver acenado.
Disso tudo quero ter certeza de uma coisa, que o eco da minha risada chegue até aqui.

Saudações transeuntes distantes.

sexta-feira, março 06, 2009

Engraçado como podemos ser muitos em um só. Ser diferente do que somos e ainda sermos só nós. Sermos exatamente igual o que sempre fomos, nunca sendo o que já fomos um dia.

Tenho que admitir, escrever, escritos, música e poesia voltaram a habitar minha vida. Isso faz mal e bem, e me faz bem e mal. Eu só gostaria de uma coisa, eternidade...


"Uma pitada de rock, um toque de desejo, polvilhe com sonhos, um passe de mágica e pronto!!! Eis-me aqui outra vez!!!"

Saudações, transeuntes.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

O tempo

Como o barulho de água pingando após a chuva, eu sinto o tempo passando.
Cada gota, mais cinco minutos. Cada cinco minutos, outra gota. Gostaria de saber represar o tempo e jogar de volta pro ar, fazer a chuva cair de novo. Mas acabo tendo que me contentar com o cheiro gostoso de terra molhada enquanto espero outra chuva.
Será que esse tempo que se escoa não voltará a chover? Não sei se torço por uma tempestade ou um dia limpo. Quero os dois por motivos opostos.
Acho que vou me contentar com as mudanças climáticas aleatórias por hora.

sábado, fevereiro 21, 2009

É mesmo certo a gente viver de ilusões e fantasiando que a realidade é qualquer coisa que não real? Por acaso não tem outro jeito de viver sem, necessariamente, ficar com uma grande vontade de deixar tudo isso pra trás?

Vai entender essas idéias, esse mundo e esse humanos...