"- Você está certo - disse Colon. - A questão do capitão, sabe, eu li num livro uma vez... Você sabia que todos nós temos álcool no corpo... uma espécie de álcool natural? Mesmo se você nunca tomar uma gota a vida toda, seu corpo meio que o produz de qualquer jeito... Mas o capitão Vimes, sabe, ele é uma dessas pessoas cujo corpo não o produz naturalmente. Tipo, ele nasceu duas doses abaixo do normal.
- Nossa! - espantou-se Cenoura.
- É... Então, quando ele está sóbrio, fica realmente sóbrio. Eles chamam isso de knurd. Sabe aquele jeito como você se sente quando acorda depois de ter passado a noite inteira enchendo a cara, Nobby? Bom, ele se sente assim o tempo todo. (...) Então ele está sempre tentando tirar o atraso, sabe? Só que nem sempre acerta na dose."
Terry Pratchett em "Guardas! Guardas!"
terça-feira, outubro 05, 2010
domingo, maio 09, 2010
Tive um sonho, desses que acontecem quando estamos acordados. A princípio tentei evitá-lo, tentei me afastar, fingir que não era de verdade, até por que sonhos são perigosos. Mas fui sendo envolvido pelo fluxo de sensações, reais demais para serem negadas, mais reais que a própria realidade que eu conhecia. Logo acabei decidindo me entregar. Quebrei as últimas resistências internas, fui contra o que restava de resistência externa e quando me deixei cair no abismo onírico... justamente quando julguei ter chegado a hora... tudo voltou a normal, ao meu normal...
As cores antes vivas, de tonalidades cada vez mais brilhantes, subitamente voltaram ao espectro comum dos lugares que sonho. Cores pesadas, tons de cinza e escalas de preto.
E a promessa da realidade sonhada distorceu-se num presente não mais de sonho acordado, mas de sono acordado, permeado por pesadelos reais tão dolorosos e angustiantes que me fizeram querer dormir pra sempre, pra poder voltar a ter apenas pesadelos sonhados e não me importar muito, pois sei que quando acordo eles somem e, no máximo, resta um leve incômodo na alma...
domingo, abril 25, 2010
É solitário andar por um caminho que não se enxerga nem o que vem, nem o que foi. Chega a se duvidar de realmente estar caminhando, de estar vindo de algum lugar e indo pra outro. A dúvida se torna tão visceral que se estende a própria existência. A dúvida passa a ser do que será, do que foi e se é ou não.
Mas só se encontra nessa situação quem quer, que se esforça pra isso. Há um preço a se pagar. E sendo assim, já que está pago mesmo, deixa acontecer.
sexta-feira, novembro 27, 2009
Saindo da onda "vou escrever uma viagem com continuação sobre um assunto extremamente batido":
Sorrir para enganar o mundo é um dom do qual cada vez menos me orgulho. Mas o que eu posso fazer? O sorriso simplesmente está lá. Sinto lágrimas vindo aos meus olhos e o sorriso continua lá. Tudo bem, isso foi uma decisão, mas até quando vou conseguir suportar esse sorriso? Ele vai continuar, já eu, não sei até quando...
- Mas o que aconteceu???
- A mesma história de sempre, whisky de menos e realidade de mais.
Sério, ando cada vez mais, de MAIS saco cheio de, absolutamente, isso tudo. Tanto que antes ainda me atreveria a escrever algo "bonitinho" e colorir todo esse cinza, dessa vez vou só entornar o preto no branco e deixar tudo aí esparramado. Pelo menos é noite....
segunda-feira, março 30, 2009
E numa noite chuvosa eu abro as portas do mundo e ganho as ruas. Minhas roupas rapidamente se encharcam, meus passos começam a fazer barulhos engraçados e ocasionalmente preciso passar a mão nos olhos pra poder enxergar o caminho. Mesmo no escuro, o caminho é claro. Não sei se por tê-lo percorrido tantas vezes ou por estar acostumado com a noite. Mas continuo quase sem prestar atenção no que faço. Me divirto com o barulho do meu tênis molhado e mal presto atenção no próximo passo. Essa certeza de saber o que fazer, de onde pisar, de como caminhar e aonde chegarei é quase estranha. Não costumo ter tantas certezas, saber o que me aguarda ou o que quero fazer. Mas essa é a minha exceção. Esse é o único caminho que percorro intencionalmente com um único propósito...
A chuva fica mais forte, nunca entendi direito por que gosto tanto de de chuva. A escuridão se intensifica e eu continuo meu caminho, sem sequer me preocupar com a visibilidade ainda mais diminuída. É um caminho já trilhado tantas vezes e, no entanto, completamente diferente da última vez. Ainda assim, extremamente familiar. Esse caminho mistura mundos, me mistura com mundo, mescla o que está dentro com o que está fora. É um caminho para a loucura completa e ao mesmo tempo, para fora dela. Atualmente, a única coisa que garante um pouco de sanidade.
Já o percorri tantas vezes que o comum é a sua eterna instabilidade, a contância da sua inconstância. E mesmo sendo algo completamente novo, eu sei exatamente aonde ele chega, mesmo nunca tendo estado lá antes. Sei como é o destino e, absolutamente, não o conheço. Com um sorriso molhado e passos encharcados, continuo meu caminho, tão meu quanto de qualquer outro que o queira percorrer. Esse caminho novo e já tão conhecido pelos que buscam entender os padrões por trás do caos.
A chuva fica mais forte, nunca entendi direito por que gosto tanto de de chuva. A escuridão se intensifica e eu continuo meu caminho, sem sequer me preocupar com a visibilidade ainda mais diminuída. É um caminho já trilhado tantas vezes e, no entanto, completamente diferente da última vez. Ainda assim, extremamente familiar. Esse caminho mistura mundos, me mistura com mundo, mescla o que está dentro com o que está fora. É um caminho para a loucura completa e ao mesmo tempo, para fora dela. Atualmente, a única coisa que garante um pouco de sanidade.
Já o percorri tantas vezes que o comum é a sua eterna instabilidade, a contância da sua inconstância. E mesmo sendo algo completamente novo, eu sei exatamente aonde ele chega, mesmo nunca tendo estado lá antes. Sei como é o destino e, absolutamente, não o conheço. Com um sorriso molhado e passos encharcados, continuo meu caminho, tão meu quanto de qualquer outro que o queira percorrer. Esse caminho novo e já tão conhecido pelos que buscam entender os padrões por trás do caos.
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