Sobre monstros, monstruosidades e mim mesmo... tinha algum tempo que não pensava sobre esse título. Sobre o que pensei ao criá-lo. São tantos sentimentos e sensações que estava envolvidas, tantas idéias que passaram, deixando marca ou nem isso, evaporando-se. E hoje, é um título que não representa a idéia original, mas me mistura, tira o mim mesmo de mim e me coloca entre os monstros. Não tento mais negar essa verdade, me faz mal descobrir-me alguém que não sou e é dolorido percorrer o caminho de volta até mim mesmo. Não que seja recompensador, o resultado é quase sempre medíocre, me faz pensar se não perdi algum pedaço no caminho. E no entando, eu insisto em ir e vir, eternamete deslocado no mundo e dentro de mim mesmo, da minha monstruosa existência.
Em determinada ocasião estava a pensar em como parecia que algumas pessoas se apaixonavam pela própria dor, real ou criada (mas não menos real), e chegavam a lutar e procurar motivos para alimentá-la e mantê-la. Como se fossem definidos por isso e por ela. Lembro-me de incluir-me entre tais pessoas. E percebo que isso quase me define as vezes. E sobre essa dor? Ela é doce, um toque de púrpura, imagens soltas de amores perdidos, paixões não realizadas e vontades insaciadas. Impossível definí-la, fácil alimentá-la, difícil conviver com ela, impraticável imaginar-me sem ela. Não, não é que eu goste, é que vai além do que consigo conscientemente decidir.
Mesmo que um sofrimento profundo não torne uma pessoa profunda, a profundidade de pensamentos em que me vejo obrigado a mergulhar, me fornecem material para entender melhor as cores do mundo e, infelizmente, abominá-las. Sorrisos cada vez mais feitos de cera, massa de moldar e toda sorte de materia prima para máscaras. E mesmo os forçando, eles não se tornaram a realidade e o que estava por trás, a mentira. Tudo continua sendo o que é. E essa é exatamente a minha maior revolta com esse paradigma de universo que sou obrigado a viver, tudo é exatamente isso, tudo é o que é (e não algo mais). Confesso que sei jogar com isso e usar a meu favor, mas isso não me faz ter prazer com essa simplificação, essa redução da equação, esse entendimento do não ser o que parece, mas o que é de fato. Só me atormenta.
Começo a pensar que talvez deva haver outro caminho, uma pena não conseguir percorrer a estrada de volta e tomar bifurcações diferentes, visto que, apesar de um dia ter achado isso, o caminho de volta não é uma reta, é quase um espelho da vinda, com bifurcações e curvas escondidas. Ainda assim, acho que deveria haver outro caminho, outro destino.
TEM que haver outro caminho!!!