segunda-feira, abril 16, 2007

Às vezes lembro de postar só por que alguém deixou algum comentário...

Acho que estou perdendo a mão, estive em condições perfeitas de escrever, e no entanto, nada foi dito. Vamos ver se ainda restou algo que sirva de matéria prima para o imaterial.




Resumo da jornada


Não, não havia nada de novo, nada que já não houvesse sito dito, sentido ou pensando. Um turbilhão de imagens e sons e cheiros e gostos formaram uma densa nuvem que bloqueou toda e qualquer luz. Como todo ser acostumado a ficar muito tempo na luz, havia perdido um pouco da habilidade de enxergar na escuridão. Eu não estava mais em casa, e pior, descobri que não havia mais uma casa.

Talvez por instinto, por memórias fracas, mas impossíveis de serem apagadas, ou por pura sorte, comecei a caminhar. E percebi que havia paredes, inconstantes como deviam ser, variáveis como o esperado e eu estava me tornando sólido demais...

Uma ou duas vezes pude perceber uma luz distante, um som cristalino de uma risada e outras coisas que estavam se tornando irreais novamente. Ainda assim, batento forte nessas paredes abstratas devido à minha concretude, continuei andando, ainda sem entender direito por quê ou para onde.

Por algum motivo achei uma caminho para fora, talvez temporário, talvez irremediável. Talvez... Talvez nada! Nem sorte, nem instinto, nem desejo de luz, aliás, luz??? A verdade, a mais pura verdade, é que me obriguei a voltar pra esses lugares mal frequentados. Me obriguei a lembrar da dor, me joguei propositada e acidentalmente num abismo bem fundo, pra poder sentir a vertigem da queda, o baque do final dela e lembrar dos caminhos já antes percorridos, descendo e subindo, caminhos que queimavam como fogo e cada passo doía mais do que toda minha existência. E que agora estão marcados em mim.

Precisei me forçar, sem saber que o fazia, a me familiarizar com parte de mim mesmo que escorria por entre os dedos sem eu perceber. Uma parte essencial para que eu possa continuar vivo. E me obriguei a lembrar também que, ou eu assumo a inconstância dos caminhos, me torno as possibilidades das escolhas e a abstração das barreiras, ou corro o sério risco de perder-me de mim mesmo e levar-me ao inevitável colapso da falta de possibilidades. Não posso esquecer como se enxerga no escuro, ou não poderei mais fugir da luz e acabarei ofuscado e queimado por ela. Ainda necessito de escuridão, mas não mais de toda a dor do aprendizado de como se viver nela. Só preciso caminhar com a leveza da inexistência e a força da decisão.


Samuel

Um comentário:

Anônimo disse...

sempre tem alguem q vai ler isso!! eu sempre to aki e vc sabe!
=*